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A veloz ampliação das fronteiras da especialidade de otorrinolaringologia e suas inúmeras consequências nos motivou a partir para este novo projeto. Após 10 anos de atuação em Juiz de Fora e região e contando com uma educação continuada e um constante treinamento, estamos nos preparando para um futuro cheio de desafios, que irá exigir cada vez mais habilidade e preparo de quem exerce a profissão.
A otorrinilaringologia superou aquilo que há 30 anos atrás era rotina, ou seja: operar amídala, adenóide, desvio de septo e cirurgia de ouvido. Nos últimos anos as fronteiras

27.Janeiro.2010

Pare de roncar

Uma sinfonia de roncos seguidos de verdadeiros cortes na respiração. Essa é a apnéia do sono, doença que rege sérios desarranjos no organismo e que, como acabam de confirmar os médicos, causa a hipertensão, além de favorecer o diabete.

A cama aguarda mais uma noite de orquestra e, num piscar de olhos, começam os roncos nos mais diversos tons. A platéia, seleta, muitas vezes é composta de uma única pessoa: o companheiro de cama. A respiração ruidosa, porém, não representa o auge do espetáculo. Ela precede um bloqueio na passagem do ar inspirado pelo maestro dessa desafinada orquestra. Na ânsia de recuperar o fôlego, ele tem uma espécie de engasgo, volta a respirar e, em seguida, engata uma nova série de sons barulhentos. Brincadeiras à parte, essa ópera que persiste madrugada adentro é coisa séria e atende pelo nome de apnéia do sono.

Sete em cada 100 pessoas têm o distúrbio em grau acentuado e outras 20 em cada 100 o apresentam pelo menos uma noite ao longo da vida, estima a neurologista Dalva Poyares, do Instituto do Sono da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp. A apnéia costuma surgir por volta dos 40 anos, sobretudo nos homens, e com uns quilos a mais. A partir dessa faixa etária, a musculatura da faringe fica mais flácida, explica o neurologista Rubens Reimão, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Quando o indivíduo se deita, então, esse tubo se estreita e, com a ajuda de possíveis amontoados de gordura na região da garganta, interrompe o caminho do ar. Esse estreitamento provoca uma vibração, o ronco, seguida de uma parada silenciosa da respiração, a apnéia. A faringe se fecha por no mínimo dez segundos e, em casos graves, pode ficar assim até por um minuto.

O regente dos roncos e dos breques na respiração nem percebe o sufoco. Quem tem apnéia dorme até demais, mas dorme mal porque não respira direito, sentencia Dalva. É um sono que não repõe as energias. E o pior: a falta de ar e a inconstante entrada de oxigênio disparam a pressão arterial. Um fenômeno que, no início, se restringe à madrugada, mas, com o tempo, ganha o dia e a vida do apnéico. Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Aliás foi feito um dos primeiros estudos no mundo a demonstrar que o elo entre ambas as doenças, Hipertensão e Apnéia do sono independe de fatores como idade, sexo ou obesidade. "A apnéia aumenta em cinco vezes o risco de hipertensão resistente", calculam os especialistas em sono.

Outro problema duro na queda que faz da apnéia uma aliada é o diabete. Quem vive às voltas com os picos de açúcar no sangue torna-se mais facilmente apnéico, e o apnéico, por sua vez, está mais suscetível a desenvolver resistência à insulina, ficando a um passo de se tornar diabético (volte ao quadro acima). Não à toa, a Federação Internacional de Diabetes passou a considerar o roncar um dos fatores decisivos para o desequilíbrio da glicose.
 
A apnéia do sono é um tremendo ruído para a saúde. Por isso, se os roncos ou a sonolência diurna ganharem acordes mais intensos, é hora de procurar um médico e iniciar o tratamento (veja o quadro à direita). Só garantindo uma respiração adequada durante o sono é que se fecha a cortina para um concerto de problemas que não param de fazer barulho pelo corpo. 

Fonte: Matéria publicada no site da Revista Saúde! É Vital - São Paulo/SP. Denis Martinez, um dos autores.

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